segunda-feira, 19 de abril de 2010

O Meu Céu Estrelado


Eu olhei pra você e vi os lábios se separando com o mesmo ar magnífico das águas abrindo-se ao meio, a maravilha de um sorriso me pegou com a mais contagiosa das sensações, felicidade.

Como explicar uma noite fria com o céu cheio de estrelas se mostrando de uma forma como jamais talvez houvesse se visto por esse pedaço de chão. A musica era desviada e sem qualidade, mais alguns disseram que emocionava, você disse, sem ênfase alguma, mais disse. Eu sabia que a noite não era minha, eu sabia, e seguia sem mostrar o contrario, mais o contrario se mostrou para mim, e sem chance de ressalva eu fui absorto naquele cenário, naquele instante, naquele sorriso. Naquelas palavras eu flutuava como alguém que está entre as estrelas infindas, descobrindo a cada momento maravilhas novas e imediatas que traziam a sensação de infinito. Como se não houvesse mais ninguém e mais nada, nos perdemos entre os enlaces teóricos e comprovados por experiências trágicas e outras nem tanto, pelo menos para nós. Aguados de doze anos e entregues aquela sincronia, eu senti como seu coração batia, e te dei o meu para sentires também, eu senti, e até brinquei que não queria mais saber, mal sabia você que quanto mais eu, sabia mais me perdia. Quase me apaixonei em uma noite, quase me perdi em seus olhos que mal enxergava, me joguei em seus braços, e medo tive de me jogar de cabeça, mais exatamente com a boca. Como eu poderia?! Eu sabia que não era seu momento, talvez nem o meu, eu sabia também o quanto quis, eu sabia o quanto sorri, e o quanto me abri frente a você, eu só não imaginava pensar depois que não me lembrava mais de quando havia sido tão eu quanto aquela noite. Eu sabia que seus sorrisos e suas falas eram tão sinceras e abertas quanto as minhas, eu só não saberia que o dia clarearia e a duvida sobre o que foi real emergiria e do céu eu desceria. Eu só não poderia imaginar que mesmo sem entender eu me apaixonaria.


Nessa confusão criada entre o querer e o não saber, e principalmente o duvidar, é difícil entender qualquer ato, qualquer peça, qualquer telefonema e até qualquer sentimento. A musica me fez lembrar você, e daquela festa onde você não estava, o céu se fez mais gélido e sem emoção, a musica mudou, as conversas também. Não digo que não me diverti, apenas não tanto quanto aquela simples noite.

É fácil entender os caminhos da vida e as diferentes direções que as pessoas tomam, a singularidade humana explica tudo para os céticos, só não se explica a duvida de algo que foi sentido com tanta intensidade. Será possível se sentir isso sozinho?! Sempre aprendi que toda força provoca uma reação igual e contraria. Acredito que a chave de tudo esteja nas estrelas, as mesmas que visitei aquele dia, a mesma a qual passeamos juntos, não aquelas inalcançáveis do céu, mais sim as que brilham em seus olhos e seu sorriso, e principalmente a que vive em seu coração, apenas aguardando o momento certo de brilhar.

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