
Em minha cama vazia, me deito, após um dia triste, daqueles que cortam profundamente a alma, que arrancam um pedaço. É claro, ninguém alem daquele grande amigo soube, mesmo assim, pouco soube. Me cubro ao som do poeta sábio e de poesias loucas, de olhos fechado faço uma oração, uma oração doida, daquelas que se transformam em um ultimo suspiro antes do fim, fim da noite.
Pedia paz de espírito, não paciência ou alguma facilidade, eu queria lutar, eu queria ser responsável pela minha sorte, e me orgulhar da história que soube fazer, pedi apenas paz a minha alma já tão cansada, são tantas coisas.
Eu me sentei no banco do meu carro, ali me sentia confortável, àquela junção de homem e maquina, aquele ser hibrido que surgia. O sol batia forte no começo da tarde, os óculos ajudavam a dar um tom mais agradável a paisagem, apesar da paisagem já agradar aos montes os meus olhos. Ao lado via estrelas brilhantes e de beleza rara, beleza que por vezes até intimida, que por vezes tira a concentração, e apesar de estrelas, daquelas que brilhavam mais que o sol, tinha o cheiro das flores, o aroma completava aquela armadilha tão bem vinda aos meus olhos que se protegiam contra o sol, porém, jamais contra aquele brilho. À minhas costas residia a alegria, a paternidade, e o apoio necessário nas horas mais difíceis, as vezes um, as vezes dois, porém, sempre me dando felicidade, nem que fosse apenas pela companhia.
Eu me levava, eu controlava aquela situação e eu era bom, eu me sentia bem, sabia o que fazia, olhando a paisagem minha alma descansava, olhando a paisagem minhas idéias se alocavam nos melhores lugares, meu sorriso se abria, musicas agradáveis misturando-se ao som do vento entrando pela janela, como é bom sentir que não há necessidade de mais nada, como é bom ser feliz com pouco, como quando era criança. Como é bom quando o pouco é tudo que você quer e de repente percebe que o pouco é na verdade o muito e o muito cada vez menos.
Ao acordar, olhei o teto, era branco, era extremamente familiar e de repente ganhou um ar rotineiro, levantei-me meio tonto ainda de sono e sentado ao canto de minha cama, senti falta daquela estrada, daquela viagem.
Eu quero mais uma vez, eu quero viajar, eu quero sair, ver o mundo brilhar pelas lentes de meus óculos escuros, quero sentir o vento, quero lugares, coisas e sensações mínimas, porém felizes, quero sentir o céu ao meu redor, quero sentir a vida acontecer, quero eles, você. Eu quero, preciso, me faz falta. Eu quero aquele dia, eu quero aquele brilho, eu quero viver.
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