
Não havia nuvem alguma no céu, a lua brilhava à sua espera, minha cabeça entulhada de pensamentos.
Naquele ansioso aguardo, imaginei minha terra, minha pátria, minha gente passando pelo ultraje da guerra. O céu brilhando em tons de vermelho e laranja. No lugar de estrelas, riscos velozes com sons de turbinas ou projéteis.
Na dor de uma visão apocalíptica e dolorosa, imaginei a luz da lua brilhando no sagrado sangue derramado de cada vítima, ativa e ao mesmo tempo inocente de fronte ao caos.
Tantos jovens lutando por uma briga que se quer começaram, tantos sonhos perfurados por munições de fuzil, se tiverem sorte. Tantos lares e famílias destruídas, tantas histórias encerradas tragicamente antes de se desenvolverem, outras, antes mesmo de começarem.
Conflito de dever e civilidade tomam conta de um guerreiro, guerreiro que deixou casa, mãe, pai, família, amor e um leito quente, ainda com o aroma do amor e da amada, da qual já não recebe cartas, e-mails, telefonemas, nem ao menos carinho, tudo isso para se tornar um numero, e um numero possivelmente incluso em um calculo macabro de baixas aceitáveis. Na guerra não existe encanto, muito menos carinho.
Nessas condições o guerreiro luta, e luta com amor, não por seu governo, mais por sua gente, sua família, por seu amor. Voltar vivo se torna detalhe, manter quem se ama vivo, dever. Pior que morrer é deixar alguém que se ama morrer, até meros pesadelos se transformam em tortura.
Só sabe o valor da paz quem já viveu em guerra, porém apenas os mortos vêm o fim da guerra.
Nesse conflito de sentimentos, o guerreiro se entrega à vontade de Deus, pois sabe que a morte é o menor dos castigos, e talvez uma baixa aceitável na luta por um bem maior, mesmo que não possa desfrutar de seus louros, se doa, para que assim, um dia, alguém volte a ter esperança e conheça mais uma vez o sentido e a dádiva de sonhar.
'Meu Guerreiro Preferido.'
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