Sentado em uma cadeira, em um quarto escuro, à luz, com apenas um foco, as janelas de minh’alma
Como em um interrogatório, me sinto indagado, a contar o que me aflige. Sou inocente, não sei o que responder, mais sei também que a resposta se esconde dentro de mim. Algo como um bloqueio psicológico, ou psicosocial.
Me interrogo, perguntando-me: Por que se fechar?! Por que não arriscar e correr atrás com tudo, pular do abismo do amor se assim se tornar necessário?! Por que se esconder de seus verdadeiros sonhos?!
Qual a vantagem de se machucar todos os dias tentando curar algo que já teria cicatrizado, algo que não precisaria mais ser remediado, algo que já não me mataria mais, simplesmente pelo fato de estar morto?! Uma forma de auto-flagelo invade minha alma e minha vida me culpando por coisas que não estão sobre meu controle e jurisdição. E em cada mísera nova oportunidade de redenção a alma guerreira se atira calada a um abismo imaginário e ilusório, fadado ao desastre, já que o corpo e a mente não participam do mesmo jogo...
Tanto a oferecer, tanto a dar a outra pessoa, mais também a si mesmo, porém, em uma desproporção inimaginável de ressentimento, medo e reprises.
Amor puro me toca, amor sem racionamento e sem racionalidade, vontade de se entregar por inteiro a algo que traga a felicidade momentânea, mais também a duradoura. Chega de falar que “Deus da asas pra quem não sabe voar”, e as tantas asas que já foram por mim desperdiçadas?
Inocentemente culpado de minha própria desgraça, descubro que sei todas as respostas e em uma ignorância voluntaria persisto em não usa-las para minha própria redenção. Sei que sou capaz, sei que sou merecedor e bom o bastante para ser feliz e dar felicidade, porém impotente de sair de minha própria cegueira.
Vícios já foram saídas, risadas já foram saídas e desperdícios também já maquiaram a preocupação de ser insignificante, mais nada serviu para completar o que realmente falta.
A falta de sentido no cotidiano me tortura, a falta de estimulo me desanima, mais o que mais me machuca é a falta de realização. É ela que me destrói todas as noites, é ela que me anula diante das oportunidades e dos acontecimentos, a insegurança deve ser química, pois transmite na calada, a todos a nossa volta, a insignificância, não perante aos fatos mais perante a si mesmo. E quem acharia interessante alguém que não se interessa nem por si mesmo. A frieza é uma escapatória, momentânea e agonizante, que não acaba com os outros a quem a direcionamos, mais sim a nós mesmos, porém, essa farsa não é eterna e um dia ela cobra o preço, a vergonha de ser quem se tornou.
Vi por esses dias uma esperança de novidades, mais as boas novas eram apenas boatos, eram enganosas, talvez criados por um inconsciente carente. Mais era tão forte, era tão linda, tão interessante e segura. Mais não era desacompanhada. E essa desilusão, mesmo que rápida e aparentemente sem grandes proporções só agrava um sentimento de fracasso existente a muito tempo, de muitas outras esperanças desabadas. A ultima esperança me mostrou que nem sempre o sorriso que trago no rosto é a realidade que carrego comigo. E que formulas existem pra tudo, mais nenhuma nos ensina a curar um coração estilhaçado. Pois ele não se reconstitui com o passar da situação, ele não se cola perfeitamente, ele se mantém quebrado.
Talvez algum dia com a junção da física e da química e até da engenharia, alguém me presenteie com sentimentos totalmente renovado, mais como já foi dito, ela não era desacompanhada.
Eu sei de cor a resposta pra tudo, mais a revelação, necessita de estimulo, o qual não se recebe assim, simplesmente por querer. E sim pelo fazer, mais nessa mesmice cotidiana e costumeira, atreva-se a me interrogar, atreva-se a me impressionar, atreva-se a me surpreender...
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