
Costumo pedir ajuda aos céus sempre quando me sinto insuficiente em algo, não que seja, mais me sinto. E há tempos era assim, há tempos que não via o sorriso que alegrava a massa a minha volta, há tempos olhava no espelho e não via conhecido algum. Porém inerente a todas as minhas vontades o extraordinário, o novo, a paz.
A carência batia, tão fundo que doía, que tirava a tranqüilidade e a graça de tudo, me viciando nesse ciclo sem fim, me transformando em mais um robô, tão comum nos dias de hoje. Trabalho de segunda à sexta, saídas vazias aos finais de semana, aliviava-me aos domingos naquela pequena hora de se olhar pra dentro e além. O pedido era sempre o mesmo, o pedido até cansava a repetição.
Parava à pensar no porque de tudo, em qual o real propósito de tantas experiências sem sentido, porque de tantas vontades que não passaram de sonho. Sempre ouvindo algo a me dizer ensinamentos sobre a calma, estava cansado da calma, queria agora, já. A demora me deixou exausto, assim como a um trabalhador que sofre, cansa, sua, suja, e ao final do mês mal recebe o alimento.
Ao domingo, era para estar na casa de meu pai, mais não, sai, eu sei que ele desejaria mesmo que fosse, eu sei que ele sabe que foi bom, foi proveitoso aos seus e aos meus olhos.
Duas almas carentes e guerreiras, levando sempre o fardo de serem dignos, o fardo de manterem a beleza do sorriso que só se vê nos rostos de raros agraciados, pesado, porém nada impossível para uns que hoje são taxados de loucos. A comida tinha mais sabor, a bebida era doce, o aroma agradável, nada diferente, apenas abrilhantado aos dois pelo outro que era companhia singular. Entre as conversas, entre os risos, e tudo que formava aquele momento. Eles se viam e admiravam, eles sentiam e gostavam. Depois desse dia as noites terminavam mais tardes aos telefonemas de boa noite, os pensamentos voavam até o outro, ou até mesmo na lembrança de tudo que é belo e se transforma em maravilhoso quando estão juntos. Como em toda história onde se vale a pena entreter, existem caminhos opostos, existem impedimentos, existem coisas sérias a serem pensadas e pesadas. Mais ele sabia, que pelo menos para ele, havia encontrado alguém que ele jamais correria o risco de perder por imprudência ou até egoísmo e sentia raiva por saber que faziam isso com aquela pessoa tão querida, ele queria cuidar dela, ele queria oferecer tudo o que conhecia ele queria entregar todo o amor que existia ali dentro sempre guardado para o momento certo.
Ele sabia que apesar de todo o sentimento envolvido de ambas as partes e de todas as coisas que se disponibilizaria ao outrem, aqueles sentimentos que conhecia eram apenas os seus, e sabia que não fazia a menor idéia do que se passava na outra face da moeda que a tanto tempo estava a girar. A única certeza que ele tinha era que saudade dói em seu coração, e que nada superava a paz que aqueles olhos o tinham devolvido.
Ao final das noites agradecia ao meu pai, pela compreensão e pela oportunidade de poder admirar aquela linda história, me fez lembrar alguns valores que a muito se escondia entre os desafetos e desânimos. Que bom seria viver algo assim.